Na última semana a atividade "LER, ESCREVER E PENSAR", teve continuidade na Biblioteca Escolar da Escola Vasco da Gama de Sines com turma de 5.º e 6.º anos.
A leitura transformou-se em diálogo e o círculo de alunos tornou-se um porto seguro, contra a intempérie que se fazia sentir lá fora - o rugir do vento e o barulho das ondas do mar -. Nada como refletir e pensar nas histórias que os livros guardam para nos contar... Não se trata apenas de ler o que está escrito. É preciso dar voz às palavras, cruzar culturas e despertar emoções. Partindo de três obras singulares, viajámos até África, refletimos sobre o papel da Mulher, a resiliência e a importância do sonho.
Através de uma seleção cuidadosa de obras que privilegiam a imagem e a profundidade ética - desde a persistência em África à metáfora da generosidade absoluta -, os alunos foram convidados a cruzar vivências e a resgatar memórias familiares. Foi um momento em que a literatura deixou de ser um objeto estático para se tornar "ninho, casa, abraço e colo" - Pelos Sonhos É que Vamos (da Associação Capulana), Endireita-te (de Rémi Courgeon) e A Árvore Generosa (de Shel Silverstein).
O primeiro sensibiliza para o sonho, o trabalho, a persistência, a vontade, o foco e a resiliência diante de dificuldades como a pobreza (neste caso, em África), abordando os valores da associação e da colaboração para ajudar muitos a cumprirem os seus sonhos. O segundo, em intertextualidade com o primeiro, apresenta imagens de uma beleza indiscritível que nos remetem para a cultura, a educação e o papel da mulher em África - o uso de algo à cabeça desde pequena para "ficar direita". Por aqui, foi possível cruzar culturas e vivências, comparar e refletir sobre a nossa e outras vidas, sobre crianças que valorizam a felicidade com o pouco que têm. Cada aluno sentiu necessidade de falar de alguma circunstância da sua vida ou de alguma história contada pelos avós, evocando memórias de dificuldades e tempos difíceis.
Por fim, A Árvore Generosa: tão pequena em texto e enorme em profundidade. Alguns riscos desenharam as duas personagens, fazendo-os imaginar como não será difícil escrever uma história... "Era uma vez uma árvore que adorava o menino... e todos os dias o menino vinha...". Depressa a árvore cresceu em muitas direções.
Da personificação da árvore que fala, brinca e se dá em amor e felicidade — "e a árvore ficou feliz" — à metáfora da sua sombra, dos frutos, dos ramos e das suas raízes que seguram o tronco e a vida; a árvore-ninho, casa, abraço, colo e MÃE... até à longa ausência do menino, que só voltava quando precisava de ajuda. Ficámos a refletir sobre tudo: no crescimento de tantos de nós, humanos, que nos ausentamos da "CASA" e só voltamos a ela quando precisamos de colo…
Terminámos a olhar para dentro. Entre raízes e sombras, falámos de gratidão e colo, humildade e generosidade. E que lição? "Nunca façam como o menino... sejam ÁRVORE!
Os alunos levantaram-se e saíram da aula de peito cheio e olhos brilhantes. E eu, como a árvore, com pouco, fiquei feliz…
Maria de Fátima Nunes


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